Porque o amor... não conta cromossomos

Ontem, dia 21 de março, os alunos do 8º ano organizaram uma campanha para uma importante data: o Dia Internacional da Síndrome de Down. Além de produzirem cartazes e panfletos, os alunos ainda trouxeram uma inovação para a campanha de conscientização deste ano. Orientados pela professora de ciências, Juliana Amorim, a turma desenvolveu um adesivo, que foi distribuído por toda a escola em referência à data.

A ideia da campanha, que na escola é feita todos os anos, nasceu dos estudos em sala de aula. “Começamos o conteúdo de ciências do 8º ano pelo estudo da divisão celular e, conhecendo os conceitos de meiose, discutimos sobre a Síndrome de Down. Eles ficaram muito animados com a campanha e com o que aprenderam. Viram que não é doença, que não depende de ninguém, que não é uma culpa, mas sim uma variação genética”, afirma a professora. Após o estudo em sala de aula, a turma foi orientada a desenvolver cartazes, panfletos e o desenho do adesivo. Este último teve várias propostas, mas a arte desenvolvida pela aluna Carolina Sena foi a escolhida para a campanha. “Fiz um coração somado à fitinha da campanha sobre a Síndrome de Down e ao redor coloquei a frase ‘porque o amor... não conta cromossomos’. Achei bem legal o meu desenho ter sido o escolhido para a campanha e acho que ficou bem bonito”, comenta a aluna.

21-03

O dia 21 de março (mês 03) foi escolhido porque a Síndrome de Down é uma alteração genética no cromossomo “21”, que deve ser formado por um par, mas no caso das pessoas com a síndrome, aparece com “3” exemplares (trissomia). Porém, para o psicólogo escolar, Ramon Itaborahy, há muito mais a se aprender sobre a síndrome. “Visitei algumas salas da escola para explicar e vi que ainda é muito grande o desconhecimento. As pessoas acham que é doença, até que é transmissível, então mais importante que saber a data é ficar claro sobre o que é. Trata-se de uma condição genética. Nós temos 46 cromossomos. Quem tem a Síndrome de Down tem 47, um a mais. Isso acaba gerando um atraso no processo de aprendizagem, por exemplo, mas é importante lembrar que todos nós temos nossas limitações. O trabalho do 8º ano foi muito explicativo, principalmente os panfletos. E acho que é isso: temos que conhecer e reconhecer as diferenças do outro para poder ajudar”, explica o psicólogo. A professora de ciências também viu ganhos positivos através da campanha. “O 8º ano apresentou as descobertas e fez a campanha de conscientização para os alunos das Agrupadas III e IV e para as turmas do 6º, 7º e 9º ano e foi muito bacana. A proposta da campanha para eles faz parte do estudo que estou desenvolvendo em uma pós-graduação da UFJF de Ensino de Ciência e Biologia, em que minha pesquisa é justamente o trabalho sobre a Síndrome de Down no contexto escolar, mas não imaginei que iria ter essa repercussão por parte dos alunos. Foi realmente muito bom”, conclui Juliana.